Poesias

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ou

     No amor, há duas faces fatais,
     que o torna, que o faz
     ser irônico sem par:
      Ou é cedo demais pra esquecer,
      ou é tarde demais pra lembrar.

Marianne Lee

domingo, 17 de abril de 2011

Ao imitador


Neste momento
o teu sorriso,
dentes nítidos,
olhos límpidos;
tenso, incerto.
Paraíso lascivo
em sete versos.


Marianne Lee

Jason Lee

L'Homme le plus joli que je connais,
il a de longs cheveux noirs.
La poitrine dans des flammes.
Les yeux comme des ombres noires,
Se passionnent.

L'Homme plus beau que je connais ;
ils ont des mains douces, agiles doigts.
Il parle doucement presque en murmurant,
timide comme le soleil
d'automne.

L'Homme le plus délicieux que je connais ;
il semble chocolat aussi sucré.
Il a des dents jolies et quand veut rire
le monde crée une nouvelle
romance.

Ce coeur que j'ai dans moi,
reste étonnement toujours ;
parce que Jasão n'est pas
seulement un Homme.
C'est un mythe !

Marianne Lee

Fuga

Eu fui procurar sossego
por entre a relva macia,
como um animal banido
só quis sentar-me vadia;
a brincar com as falenas
e me erguer assustada,
pensar ter ouvido algo
e não ter certeza de nada.

Correr, tropeçar, cair
e não me machucar?
– Talvez.
A vida que é minha agora
não foi a vida que eu quis.
Só quero por entre rosas,
entre as palmeiras crescidas
no meio das castanholas,
por entre as águas saídas
de uma bela cachoeira
molhar-me e esquecer a vida.

A vida que eu não quis
e que não me fez feliz.
E a noite ainda na mata
qual a coruja esperta,
olhar vigiando os cantos
com o corpo sempre alerta.

Armar a minha barraca
onde a brisa fresca é.
Talvez bem dentro do bosque
ou em cima de um sopé.
Tornar os meus olhos verdes
só em contemplar a mata
e dormir sem sono algum
dentro da minha barraca.
Pra me defender do vento.
pra me proteger da chuva,
igual a um animalzinho
que é como gente miúda.

E onde a visão não alcança,
ver colhida a esperança
e talvez tornar feliz,
a vida que eu não quis.

Marianne lee

Esquinas


Choveu pela manhã à gosto, é o meu outono.
O dono de um olhar, pardo cão sem dono
como um gato na espreita. Veja!
Tão escuro esse olhar, tão belo e tão profundo;
vigiando as esquinas e inundando o mundo
de anseios, gestos e risos. Eu vejo.

Indômito coração que a noite tumultua.
Sonhos, lassidão, a sensação...
Macia e nua a pele esfomeada.
Uma vez desejei acordar nesses braços
sentir quente coração ao meu
num só compasso - A alma saciada.

Decerto sei que toda a noite insone
deixou-lhe marcas, as pálpebras até pendem.
Sedução ou ironia?
Todos os dias e noites num só dia!
Misto de Deus e homem.

E a vida é tão pequena, tão menina...
           É uma canção!

Marianne lee

                              

domingo, 10 de abril de 2011

Indo

Ando como as pessoas andam.
Não sei cantar ainda, mas canto.
Penso o que a maioria pensa,
o velho cerk na cabeça.
Sou eu que mando no meu sossego.

Viajo num cigarro e na cerveja bem gelada.
Na calada da noite - alta madrugada,
perco o sono. Quis envenenar alguém.
É hediondo pensar assim.

Agora eu quero novidades,
o mundo é  muito antigo pra mim.
Estou na flor da idade.
Pensamentos vazios. Haja tempestade
que me faça ficar em casa!
O teto pode ruir, mas eu não fico!

Vou pescar estrelas,
perder o caminho, o rumo.
Talvez eu volte amanhã
ou não sei quando.
Semana que vem. Quem sabe?
Não vou perder esse navio por nada.
Na calada da noite, alta madrugada.
Eu me mando.  Sumo!

Marianne Lee


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Chão

Pés que se movem

e andam em vão.

Que seguem caminhos.

Que pisam no caos.

Na terra batida,

no asfalto quente.

Passam serelepes,

tantos, pela gente.

De lugar nenhum,

se ir,  se voltar, se..

Perdem-se em veredas.

Lançam-se, ao mar.

Movem-se na noite

ou no sol à pino.

Pés que perdem o rumo, 

pisam no destino.



Marianne Lee

Quente Rio

Estava chovendo mar,
nos rostos contorcidos
lágrimas rolavam da pele,
os olhos secos
e essa chuva de calor
varreu a casa inteira.
Tinha goteira nos móveis,
por toda sala.
Na calada da noite, 
o ventilador quente de sol japonês;
porque lá sei que é dia
e eu pobre Maria sem graça
encharcada de suor,
mangas arregaçadas.
Viva a praça! 
No Rio faz mais de quarenta!
Lembro da janela paulistana
da cama fria
e a saudade aumenta.

Marianne Lee

Uma manhã qualquer

Hoje pela manhã - estava calma!
Uma manhã de novembro radiosa.
As rosas exalavam no jardim
e as falenas pairavam sobre as rosas.

Eu estava na janela agora a pouco
tomando um café tão forte e doce.
Então esta manhã entrou em mim
como se eu parte dela fosse.

Veio me buscar esta menina;
fada luminosa, fresca, amena.
Me acordou de mansinho, me beijou,
Tocou o meu rosto, a mão serena.

E vi o sol, o vento leve;
pombos na calçada e longe o mar.
Esta manhã de novembro radiosa
eu a copiei - Aqui está!

Marianne Lee

Seo José


                                     Para Drummond

Tenho oitenta anos
e você nem nasceu.
Onde fui tão velho,
você não viveu.

Nos cabelos brancos,
nas rugas da mão.
No coração lento.
Ah! Meu coração!

No andar cansado,
não dormir, comer.
E não ouvir nada ou
quase nada ver.

Eu nasci em 20,
tanto tempo atrás.
Mas, seguir em frente?
O medo assaz.

Marianne Lee

Insônia


                                            À Edgar.

Então numa noite insone
onde os corvos batiam em revoada,
ouvi um grito que vinha da torre
de uma mulher caindo de uma escada.

As mãos sangrentas do duque assassino
pendiam rijas ao lado do corpo.
O olhar vidrado - Atônito, 
a contemplar tão belo ser - Morto!

Estava fria aquela noite e eu
não conseguia dormir ante o frio.
Fui à janela e avistei um vulto
que, da torre, se jogava no vazio.


Marianne Lee

O doce beijo do mundo

Eu não faço poesia.
Nem mesmo sei de onde vem...
Deve ser ela quem me faz,
e isso é só um porém.
A inspiração em mim, soa longe:
traz às vezes alegria
e depois a leva em segundos.
Não me parece magia,
o doce beijo do mundo.

Ao me fazer, eu não sei:
traz bons versos, boa rima.
Mas, não será isto que passa,
assim breve como a vida?
A inspiração em mim soa longe:
traz às vezes a primavera
com suas flores nascidas,
e rosa que desabrocham
Ah! nelas encontro vida!

A poesia me envolve, me ganha
num só momento em que fito o céu.
Não sei ao certo o que me acontece
se vir o sol e seus d´ouros véus.
A inspiração em mim soa longe.
Às vezes beija-me com o pensamento.
Traz coisas novas, renova tudo
e não me deixa um só momento.

Não sei, mas sou poesia.
Digo que sou, porque assim nasci.
A minha inspiração é algo forte,
pois me livra da morte
e fez belos, os dias que vivi.
Digo que vivi, pois não mais sei
se hoje vivo ou apenas sou gesto.
Tudo que sei é que vivo de poesia.
Assim eu quis: quis-me sentir quieto.

Marianne Lee

Semana

Tenho sete dias pela frente.
Toda segunda
e toda segunda eu começo:
acordo e molho o rosto,
escovo os dentes com pressa,
pra trabalhar! Ora essa!

Rio com pessoas desconhecidas.
Conto mentiras.
Engrandeço-me.
Haja ego!

Alma irrequieta, não para.
Corro como quem corre milhas.
Descalça, eu volto na chuva.
Olhos semicerrados,
declamo versos antigos,
se me sinto só.

Tomar café quente,
com queijo branco gelado,
salvo o meu dia na noite,
rezando pros meus pecados
e não são poucos, são caros.

Marianne Lee

Rotina

Eu não acordo mais.
Levanto aos tropeços
e não enxugo a mão
que lava o rosto
e escova os dentes.
Depois eu acordo,
a casa fria!
E correr contra o tempo
o relógio da orgia,
cotidiano.
Não conto os degraus
porque me perco, apenas desço.
Não quero mudar o mundo.
Não quero essa idéia em mim.
Eu não levanto mais.
Tudo que faço é jogar,
apostar alto, virar o jogo
e perder ou ganhar
já não importa.
Mostrar as cartas,
as mãos vazias, as marcas,
vil rotina.

Marianne Lee

Al edes

Nós somos uma nação. Que líderes!
Há homens que mentem e,
que não medem esforços;
roubam-nos tudo até a liberdade,
de viver e lutar pelo o que é nosso.

Nós somos do terceiro mundo,
Inferiorizados até os ossos.
A pior saúde, a pior comida.
A água, para alguns, vem dos esgotos.

Ah! Mas nós não temos guerras,
vivemos de alegria a olhos vistos.
Se Bush e Osama estão distantes,
nosso pior terrorista é um mosquito.

Marianne Lee

Razões

Faço poemas pra glória,
pra quem ousou e não fez.
Faço poemas pro agora
ou pro futuro - talvez.

Faço poemas de vida,
de amor, esperança e pranto.
Faço poemas de um riso
ou de um olhar de quebranto.

Faço poemas pra quem
ainda vive a poesia.
Quem se achou, se perdeu,
ganhou-se e se deu, um dia.

Faço poemas pro mundo.
Pra quem levanta bem cedo.
Faço, pra mim, pra você.
Faço, para quem não tem medo.

Marianne Lee

Poeminha niilista


                                 Para F. W. Nietzsche

- Tudo já foi dito!
Restam-me poucas palavras.
A que me presta no momento?
– Nada.

Nada que penso,
e nada que digo.
Nada que faças,
nada é comigo.

Nada diz muito,
e diz quase nada.
O nada me eleva,
e te leva ao nada.

Nonada se escreve
e Nonada se lê
Do nada descobre,
que tudo há de ser.

Ele quis ver o nada
com olhos gentis
e ti digo, nada
o fez mais feliz.

Marianne Lee

Lizzy Bennet

                                 
                      Para Jane Austen (*minha Musa*)






 “Em vão tenho lutado comigo mesmo, mas nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos; preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente”. Mr. Darcy.


Há um homem postado a uma janela,
em pretas vestes como as de um vampiro.
E vigia a estrada qual zeloso cão,
e busca abrigo num assaz suspiro.

Afrodite? Penélope? Helena?
Tem tantos nomes sua doce amada.
Ele se entrega ao deleite e, ao prazer extremo,
de vê-la despontar em lépida caminhada.

É outro dia de uma noite em claro!
Cabelos negros lhe sombreiam os ombros.
Ela demora como a madrugada.
Ela é difusa como os doces sonhos.

Eis que do nada o coração pressente:
Ela está vindo! Eu sinto o seu perfume!
Então, os olhos febris do Sr. Darcy, 
abrem-se em risos feitos vaga-lumes.

Quando ela entrou foi como se o sol
entrasse por todas as janelas,
e iluminasse cada canto, cada gesto,
p'ra depois retornar aos olhos dela.

Toma-lhes as mãos e já anseia a boca.
Todo o corpo treme se a respira.
Ah! Que canção tocar se tens consigo,
suaves cordas de celeste lira?

Marianne Lee

Leão em Libra

Sou milagre de vida e vivente,
busco o néctar que a flor oferece.
Não existem fronteiras pros sonhos;
as folhas só me sussurram,
os sons que não ouvir da brisa.

Sou milagre de um ser e sendo
infinitamente eu, absolutamente;
tenho sob os pés, rosas e cravos.
Meus olhos beijam raios,
como se fossem estrelas ou lagos.

Sou milagre de um verso, a versão!
De um outro rosto – o sorriso.
O peito, a mão, a língua, o umbigo.
O pé e pisar firme – a voz.
O gesto até, se virar às costas.

Sou milagre de mim e, eu
sou excepcionalmente original!
Sou o caos, a ordem, a deixa,
a queixa desigual, a lira entoada;
a fração de um segundo;
ser nada e estar aqui.
Eu sou a vida que implora - Viver!


Marianne Lee

Jogos de carrinho

Música pros olhos.
Mar pros ouvidos.
A brisa da tua boca
e o cheiro do teu umbigo
são como a estrada
e me levam de volta
para o perigo.

Medo de ser esquecida
por meros segundos,
ao seguir teus passos
até o quarto.
Meu vasto mundo!
Fantasias, idéias tolas.
Mãos em punho.

Diz-me logo, tenho pressa.
- Aonde devo acordar?
- Onde ti levar agora,
no meio da noite?
Com que prazer pretende
punir esta alma insana?
Mata-me de beijos.
Diz que me amas!

Eu quero decifrar o enigma,
ao andar pelo teu labirinto.
Dizer o que sinto é confuso.
Dados, cartas, jogar o mesmo jogo.
Perder? Eu não quero mais.
Eu quero seguir tuas mãos
e prendê-las comigo:
pena máxima ou tudo!

Marianne Lee